Caroline Cha

Dermatologista

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Dermatologia Clínica

Unhas: o que cor, textura e formato dizem sobre sua saúde

Alterações nas unhas podem indicar doenças sistêmicas, infecções ou deficiências nutricionais. Saiba quando consultar um dermatologista.

Equipe Dra. Caroline Cha

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Unhas: o que cor, textura e formato dizem sobre sua saúde

Unhas: o que cor, textura e formato dizem sobre sua saúde

Unhas: o que alterações de cor, textura e formato podem indicar sobre a saúde da pele e do organismo — e quando a avaliação dermatológica é necessária

As unhas costumam ser vistas, em primeiro lugar, como um elemento estético. Mas, do ponto de vista médico, elas são muito mais do que isso: são estruturas queratinizadas — formadas pela mesma proteína que compõe o cabelo e a camada externa da pele — que funcionam como um espelho do estado de saúde geral do organismo.

Alterações na cor, na textura ou no formato das unhas podem ser o primeiro sinal visível de condições que vão desde deficiências nutricionais e doenças sistêmicas — aquelas que afetam o corpo como um todo — até infecções, distúrbios dermatológicos e, em casos menos comuns, tumores. Reconhecer essas alterações não significa diagnosticá-las, mas significa saber o momento certo de buscar avaliação especializada.


Como as unhas se formam e por que isso importa

A unha cresce a partir da matriz ungueal, uma região localizada sob a pele, logo atrás da cutícula. É lá que as células se multiplicam e se comprimem progressivamente, formando a lâmina ungueal — a parte sólida e visível que conhecemos como "a unha".

Esse processo é contínuo e lento: as unhas das mãos crescem, em média, de 2 a 3 milímetros por mês; as dos pés crescem ainda mais devagar. Qualquer evento que perturbe a atividade da matriz — uma doença, um episódio de febre alta, um trauma, uma deficiência nutricional prolongada — pode deixar marcas estruturais visíveis na lâmina ungueal semanas ou meses depois.

Isso significa que as unhas funcionam como uma espécie de registro cronológico da saúde do organismo. Uma alteração visível hoje pode refletir algo que aconteceu há semanas.


Alterações de cor: o que observar

A cor natural da unha saudável é rosada, uniforme e translúcida. Desvios dessa coloração têm significados distintos e merecem atenção diferenciada.

Unhas amareladas

O amarelamento das unhas é relativamente comum e tem causas variadas. O uso prolongado de esmaltes sem base protetora pode depositar pigmento na lâmina ungueal — essa é a causa mais banal e sem implicação clínica relevante. No entanto, unhas amareladas também podem indicar:

  • Onicomicose (infecção fúngica da unha): condição muito prevalente no Brasil, especialmente nos pés. Além do amarelamento, costuma causar espessamento, descolamento e odor. Segundo dados do setor dermatológico, é uma das queixas mais frequentes em consultório;

  • Psoríase ungueal: a psoríase — doença inflamatória crônica da pele — frequentemente afeta as unhas, causando alterações de cor, textura e formato;

  • Síndrome da unha amarela: condição rara que associa unhas amareladas a alterações linfáticas e respiratórias.

Manchas brancas

As leuconiquias — termo técnico para manchas brancas nas unhas — são um achado muito comum e, na grande maioria das vezes, benigno. Pequenas manchas brancas puntiformes ou lineares costumam resultar de microtraumas na matriz, como pressão ou impactos leves. Elas crescem junto com a unha e desaparecem sozinhas.

Leuconiquias extensas ou que afetam várias unhas simultaneamente, no entanto, podem estar associadas a hipoalbuminemia (baixa concentração de albumina no sangue, proteína essencial ao organismo), insuficiência renal ou intoxicação por metais pesados — e merecem investigação clínica.

Manchas escuras ou faixas pigmentadas

Este é um achado que deve ser avaliado com atenção. Uma faixa longitudinal escura — que corre da base até a ponta da unha — é chamada de melanoniquia longitudinal. Ela pode ter origem benigna, como ativação de melanócitos (células produtoras de pigmento) por trauma ou por uso de certos medicamentos, e é particularmente comum em pessoas de pele mais escura.

No entanto, a melanoniquia também pode ser o sinal inicial do melanoma subungueal — um tipo de câncer de pele que se desenvolve sob a unha. Esse tumor é mais raro, mas tem comportamento agressivo quando diagnosticado tardiamente. A avaliação dermatológica é indispensável nesse contexto. O sinal de Hutchinson — pigmentação que se estende da unha para a cutícula ou a pele ao redor — é um indicador de alerta importante.

Unhas azuladas ou arroxeadas

A coloração azulada ou arroxeada das unhas, chamada de cianose, indica redução do oxigênio no sangue e pode estar associada a condições cardiovasculares ou respiratórias. Em contexto agudo — após exposição intensa ao frio ou durante crise de falta de ar — pode ser transitória. Quando persistente, requer avaliação médica ampla.


Alterações de textura: da superfície ao interior da lâmina

Pitting (puntilhado superficial)

O pitting é a presença de pequenas depressões ou "carocinhos" na superfície da unha, como se tivesse sido marcada com uma agulha. É uma alteração frequentemente associada à psoríase — presente em até 50% dos pacientes com essa condição — mas também pode ocorrer na alopecia areata (queda de cabelo em placas) e na dermatite atópica.

Onicosquizia e onicorrexe

São dois tipos distintos de fragilidade ungueal. A onicosquizia é a tendência da unha de se descamar em camadas horizontais na borda livre. A onicorrexe é o aparecimento de estrias longitudinais com tendência a fissuras e quebras. Ambas podem resultar de exposição excessiva à água e a detergentes, uso de produtos químicos sem proteção, hipotireoidismo (funcionamento reduzido da tireoide), deficiências de ferro, zinco ou biotina, ou simplesmente do envelhecimento natural da estrutura ungueal.

Espessamento

Unhas significativamente mais espessas do que o habitual — especialmente nos pés — são uma apresentação clássica da onicomicose, mas também podem estar associadas à psoríase, à ictiose (doença genética da pele) ou a traumas repetitivos, como os causados por calçados inadequados.


Alterações de formato: quando a forma fala sobre a função

Coiloníquia (unhas em colher)

As unhas que se tornam côncavas — curvando para cima em vez de acompanhar a curvatura natural do dedo — são chamadas de coiloniquias. Esse formato está classicamente associado à anemia ferropriva (deficiência de ferro), embora também possa ocorrer por exposição a solventes ou como variante normal em crianças pequenas.

Baqueteamento digital (unhas em vidro de relógio)

O baqueteamento digital é o alargamento e o arredondamento da ponta dos dedos, com as unhas assumindo uma curvatura acentuada — semelhante ao vidro de um relógio antigo. É um sinal clínico reconhecido de doenças pulmonares crônicas (como fibrose pulmonar e bronquiectasias), doenças cardíacas congênitas e algumas condições gastrintestinais. Trata-se de um achado que, quando identificado, exige investigação sistêmica aprofundada.

Linhas de Beau

São sulcos ou ranhuras horizontais que atravessam toda a largura da unha. Formam-se quando um evento agudo — febre alta, cirurgia, quimioterapia, estresse físico intenso — interrompe temporariamente a atividade da matriz ungueal. A posição da linha na unha pode ajudar o médico a estimar quando o evento ocorreu, funcionando como um marcador temporal.

Onicólise

A onicólise é o descolamento da lâmina ungueal do leito (a pele abaixo da unha), começando pela borda livre. É comum em pessoas que trabalham com as mãos imersas em água, mas também pode estar associada à psoríase, hipertireoidismo, infecções fúngicas e reações a medicamentos fotossensibilizantes — aqueles que aumentam a sensibilidade à luz solar.


Infecções ungueais: fungos, bactérias e vírus

Onicomicose

É a infecção fúngica da lâmina ungueal ou do leito ungueal. No Brasil, o clima quente e úmido favorece sua ocorrência, e o uso de ambientes coletivos — como piscinas, academias e vestiários — representa um fator de risco relevante. O diagnóstico clínico deve ser confirmado por exame laboratorial (micológico direto e cultura) antes do início do tratamento, pois o uso indevido de antifúngicos — sem confirmação diagnóstica — é um problema clínico importante e pode mascarar outras condições.

Paroníquia

É a inflamação e infecção da região ao redor da unha — a pele que circunda a lâmina. Na forma aguda, costuma ser causada por bactérias (mais frequentemente o Staphylococcus aureus), com dor, vermelhidão e, eventualmente, coleção purulenta. Na forma crônica, fungos do gênero Candida são os agentes mais comuns, e a condição tende a se instalar em pessoas que mantêm as mãos constantemente úmidas.


Quando a avaliação dermatológica é necessária?

Nem toda alteração ungueal exige uma consulta de urgência. Mas algumas situações merecem avaliação especializada sem demora:

  • Faixa escura longitudinal em qualquer unha, especialmente se estiver crescendo, alargando ou estendendo pigmento para a pele ao redor;

  • Descolamento progressivo da lâmina, sem causa aparente;

  • Espessamento, amarelamento e odor persistentes, sugestivos de infecção fúngica;

  • Alterações em múltiplas unhas simultaneamente, sem explicação mecânica ou ambiental óbvia;

  • Sangramento, dor ou formação de nódulo na região ungueal ou periungueal;

  • Alterações que persistem por mais de dois meses sem melhora espontânea;

  • Qualquer alteração ungueal associada a sintomas sistêmicos, como cansaço, falta de ar, perda de peso ou edema.

É igualmente importante lembrar que o autodiagnóstico baseado em imagens da internet tem limitações significativas. Condições com aparência semelhante podem ter causas e tratamentos completamente diferentes, e o tratamento incorreto — especialmente com antifúngicos ou corticoides sem prescrição — pode agravar o quadro ou retardar o diagnóstico correto.


Cuidados que protegem as unhas no dia a dia

Embora este artigo se concentre no valor diagnóstico das alterações ungueais, vale mencionar que algumas práticas reduzem o risco de danos e infecções:

  • Usar luvas ao lavar louça ou manusear produtos de limpeza;

  • Secar bem os pés — especialmente entre os dedos — após o banho ou contato com água;

  • Evitar cortar as cutículas (a cutícula tem função protetora contra infecções);

  • Optar por calçados com espaço adequado para os pés, evitando pressão sobre as unhas dos pés;

  • Usar sempre calçados em ambientes coletivos úmidos;

  • Aplicar base protetora antes de esmaltes colorados, especialmente nos casos de uso contínuo.

Esses cuidados são adjuvantes — complementam, mas não substituem, a avaliação profissional quando há alterações relevantes.


Uma última reflexão

As unhas são pequenas, mas comunicam muito. A medicina as observa há séculos como janelas para o estado interno do organismo — e a dermatologia moderna dispõe de ferramentas, como a dermatoscopia ungueal (exame de imagem de alta resolução aplicado às unhas), que permitem uma avaliação muito mais detalhada do que o olho nu consegue captar.

Observar as próprias unhas com atenção faz parte de um cuidado consciente com a saúde. Mas interpretar o que se vê com precisão — e definir se uma alteração é banal ou clinicamente relevante — é um trabalho que exige formação especializada e avaliação individualizada.


Se você identificou alguma alteração nas suas unhas e deseja uma avaliação dermatológica completa, consulte um dermatologista. Apenas o profissional qualificado, após exame clínico presencial e, quando indicado, exames complementares, pode oferecer um diagnóstico preciso e um plano de cuidado adequado à sua situação.


Aviso médico: O conteúdo deste artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui a consulta médica, o diagnóstico clínico nem a prescrição de tratamentos por um profissional de saúde habilitado. Diante de qualquer alteração de saúde, consulte um médico.

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