Caroline Cha

Dermatologista

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Dermatologia Clínica

AHAs e BHAs: o que são e como usar com segurança

Descubra como AHAs e BHAs agem na pele, seus benefícios e riscos. Saiba por que a indicação personalizada do dermatologista é essencial.

Equipe Dra. Caroline Cha

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AHAs e BHAs: o que são e como usar com segurança

AHAs e BHAs: o que são e como usar com segurança

Ácidos exfoliantes na skincare: o que são AHAs e BHAs, como agem na pele e por que a indicação deve ser individualizada pelo dermatologista

Ácidos exfoliantes na skincare: o que são AHAs e BHAs, como agem na pele e por que a indicação deve ser individualizada pelo dermatologista

A prateleira de dermocosméticos nunca foi tão acessível — e nunca gerou tantas dúvidas. Entre os ingredientes que mais aparecem nas embalagens e nas conversas sobre skincare estão os ácidos exfoliantes, especialmente os AHAs e os BHAs. Eles têm respaldo científico consistente, mas também concentram boa parte dos erros de uso mais comuns: concentração inadequada, combinações incompatíveis e aplicação sem considerar o tipo de pele.

Entender o que esses compostos fazem na pele, e o que não fazem, é o primeiro passo para usá-los com segurança.


O que são os ácidos exfoliantes

O termo "ácido" costuma soar agressivo, mas no contexto da dermatologia cosmética ele descreve compostos que atuam sobre as ligações entre as células mortas da camada mais externa da pele, chamada estrato córneo. Ao enfraquecer essas ligações, os ácidos promovem a renovação celular de forma controlada, sem o atrito físico das esfoliações mecânicas.

Esse mecanismo é chamado de esfoliação química, e os AHAs e BHAs são suas duas famílias mais estudadas.


AHAs: o que são e como agem

AHA é a sigla para alfa-hidroxiácidos, em inglês alpha hydroxy acids. São compostos de origem natural, derivados de frutas, leite e cana-de-açúcar, que agem principalmente na superfície da pele.

Os mais usados em formulações cosméticas e dermatológicas são:

  • Ácido glicólico, derivado da cana-de-açúcar, com a menor molécula do grupo, o que lhe confere maior penetração cutânea.

  • Ácido lático, derivado do leite, com molécula maior e ação mais suave, além de propriedade umectante.

  • Ácido mandélico, derivado da amêndoa amarga, frequentemente indicado para peles mais sensíveis e fototipos mais escuros.

  • Ácido cítrico, presente em frutas cítricas, mais usado como agente regulador de pH do que como exfoliante principal.

O mecanismo de ação dos AHAs envolve a redução da coesão entre os corneócitos, que são as células mortas da camada superficial da pele. O resultado é uma renovação mais rápida do estrato córneo, com melhora visível da textura, da luminosidade e de manchas superficiais causadas por hiperpigmentação pós-inflamatória ou fotodano leve.

Por agirem na superfície, os AHAs são hidrossolúveis, ou seja, se dissolvem em água. Isso os torna mais indicados para peles com textura irregular, linhas finas, manchas e ressecamento.


BHAs: o que são e como agem

BHA significa beta-hidroxiácido, em inglês beta hydroxy acid. O representante mais conhecido e estudado dessa família é o ácido salicílico, derivado da casca do salgueiro.

A diferença estrutural em relação aos AHAs não é apenas química: ela tem consequências práticas. O ácido salicílico é lipossolúvel, ou seja, se dissolve em gordura. Por isso, consegue penetrar no interior do folículo pilossebáceo, o canal que envolve o pelo e conecta-se à glândula sebácea. Essa propriedade o torna especialmente útil no tratamento de peles oleosas, com tendência a acne, comedões (cravos) e poros dilatados.

Além da ação exfoliante, o ácido salicílico tem propriedade anti-inflamatória e antimicrobiana, o que contribui para reduzir a vermelhidão associada às lesões acneicas.


Como os dois grupos se diferenciam na prática

A distinção entre AHAs e BHAs não é uma questão de qual é "melhor": são ferramentas com perfis de ação distintos, indicadas para necessidades diferentes.

Peles oleosas com acne e poros dilatados tendem a responder melhor ao ácido salicílico. Peles ressecadas, com manchas ou sinais de envelhecimento precoce por exposição solar, costumam se beneficiar mais dos alfa-hidroxiácidos, em especial o glicólico e o lático. Há situações em que o dermatologista indica formulações que combinam os dois grupos, mas essa combinação exige avaliação cuidadosa para não comprometer a barreira cutânea.


Concentração, pH e a questão da eficácia

Um detalhe técnico que poucos rótulos explicam com clareza: a eficácia de um ácido exfoliante depende não só da concentração do ativo, mas também do pH da formulação. O pH é a medida de acidez de uma solução, numa escala de 0 a 14, em que valores abaixo de 7 são ácidos.

Para que AHAs e BHAs exerçam atividade exfoliante, o pH da fórmula precisa estar dentro de uma faixa específica, geralmente entre 3 e 4. Produtos com pH muito alto têm o ativo "neutralizado" e não produzem o efeito esperado. Produtos com pH muito baixo podem irritar ou lesionar a pele.

A Anvisa, que regula cosméticos e medicamentos no Brasil, classifica os produtos com ácidos exfoliantes em duas categorias conforme a concentração e o pH. Produtos com ácido glicólico acima de determinada concentração ou com pH muito baixo são enquadrados como produtos de uso exclusivo em consultório ou com prescrição médica. Essa regulação existe porque o risco de irritação, queimadura química e sensibilização aumenta com o uso inadequado.


Por que ácidos exfoliantes aumentam a sensibilidade ao sol

Ao remover as células mortas da superfície cutânea, os ácidos exfoliantes deixam as camadas mais novas da pele expostas. Essas células são mais sensíveis à radiação ultravioleta, o que aumenta o risco de queimadura solar, hiperpigmentação e fotodano.

O uso de protetor solar diário, com FPS adequado ao fototipo e à rotina de exposição, deixa de ser opcional quando se usam ácidos regularmente. A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda o uso de protetor solar todos os dias, independentemente da estação do ano ou da presença de nuvens. Com ácidos na rotina, essa recomendação se torna ainda mais relevante.


Riscos do uso sem orientação

Os efeitos adversos mais comuns do uso inadequado de AHAs e BHAs incluem irritação, descamação excessiva, dermatite de contato e piora da hiperpigmentação em fototipos mais escuros. Esse último ponto merece atenção especial: peles com maior quantidade de melanina, predominantes na população brasileira, têm risco aumentado de desenvolver manchas escuras em resposta a qualquer processo inflamatório na pele, inclusive o causado por ácidos mal indicados ou mal usados.

Há também o risco de comprometer a barreira cutânea. A barreira da pele é o conjunto de estruturas que mantêm a hidratação e protegem contra agentes externos. O uso frequente de esfoliantes químicos, sem o intervalo adequado entre as aplicações, pode enfraquecer essa estrutura, tornando a pele mais reativa e mais suscetível a infecções e irritações.

Produtos como retinóides (vitamina A), benzoil peróxido e alguns tipos de vitamina C podem ter interação negativa com ácidos exfoliantes, gerando irritação ou reduzindo a estabilidade dos ativos. Combinar ingredientes sem avaliação profissional é um dos erros mais frequentes em rotinas de skincare construídas a partir de recomendações em redes sociais.


Por que a indicação precisa ser individualizada

Não existe uma fórmula única de ácido que sirva para todo tipo de pele. A escolha do ativo, da concentração, do pH da formulação, da frequência de uso e da forma de introdução na rotina depende de variáveis que só uma avaliação presencial permite identificar: fototipo, diagnóstico das condições da pele, histórico de reações, medicamentos em uso, e objetivos do tratamento.

Uma pele jovem com acne ativa, por exemplo, tem necessidades completamente diferentes de uma pele madura com melasma. O ácido que beneficia uma pode piorar a outra.

O dermatologista também avalia se o paciente tem condições que contraindicam o uso de ácidos, como rosácea ativa, dermatite seborreica em fase aguda ou histórico de hipersensibilidade a determinados compostos.


Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada pele tem características únicas que exigem avaliação presencial por um dermatologista habilitado.


Se você quer entender quais ácidos fazem sentido para a sua pele, com indicação baseada em avaliação clínica, consulte um dermatologista. A automedicação cosmética raramente é inofensiva, e no caso dos ácidos exfoliantes, os erros de uso deixam marcas que levam meses para tratar.

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